e as pessoas e as gentes,
entre as histórias e a história, e as histórias,
ó Deus, entra esta sensação e é tão estranha.
entra entre mim mesmo ou eu estou errado.
e quem me dera que o estivesse, que não houvesse.
vá, escreve de volta as que nunca abriste para ler.
escreve-me de volta, até que o beija-flor apareça.
até que o sonho recorra, e o desamparo com ele.
"-tiveste um sonho horroroso a noite passada... fiquei mesmo assustada.
-desculpa.
-dizias que estavas a cair... lembras-te?"
e as gentes bizarramente alegram-se,
pessoas normais, povo de gente, a aplaudir.
vira tudo do avesso de um momento para o outro,
vira tudo na terra da fartura (será?)
"-foi uma dávida.
-dávida? não tenho a certeza acerca disso.
-tenho eu."
e há quem traga a identidade ao vento
de nariz emproado, de fronte calada,
só a tentar ouvir o que o vento dirá.
(fecho a minha voz e oro.)
"-pareces desapontado.
-imaginava-o diferente.
-diferente como?
-algo mais que isto, não sei, não apenas um local em obras.
-vamos calar-nos, e tentar só ouvir..."
(a partir de "land of plenty" - wim wenders | leonard cohen)
14/05/10
18/04/10
o poderoso rei de nenhures

parti o meu coração, e atirei-o para longe
as minhas forças, usei-as contra mim
os meus dons, ignorei-os apenas
fechei-me em mim, de mãos, de punhos, assim.
e todas as gotas de humidade sequei-as,
ou deixei que o vento e o calor as levasse.
fechei-me assim, com a minha coroa, o meu ar
sem ao ar deixar os cacos, fosse alguém e os tomasse.
e agora batam-me, atinjam-me, escalpem-me,
deixem-me duas caras no arrasto, ambas de dor
deixem-me este reino imenso só meu,
de cacos, terra preta, o que for.
16/03/10
é essa a força.

- foi essa a força que usaste. Foi esse o punho que me empenhaste. Foi esse foi, e eu quebrei-o. E não te adiantou pintar as paredes de verde, que não me assustaste. Fraco. Usaste o meu próprio punho para me atingir, e sabes porquê? Porque, tu meu verme, nem um tens. Grande monstro, que nem um punho tem, nem um corpo, nem nada. E é assim que me encaras, escondido, cobarde. E eu rasguei-te, não foi preciso muito.
- ainda tenho um braço joana, ainda te tenho a ti, não me foges. Não penses que me expulsas, que me venceste. Eu sou mais tu do que tu pensas. Estou cá dentro, e tu para me expulsares... bem, tinhas que escavar bem fundo, e eu sei que não estás disposta a isso. Atreve-te.
- Digo-te eu, que esta luz que me escapa, só essa luz apenas, basta para me atrever. E não é preciso que arranque qualquer epiderme, que tu cais como pele morta, e és alimento de ácaros num instante. Não és monstro nenhum pois não? Diz-me lá, por que linhas te coses? A não ser por aquelas de que me rasgo, não és nada. Estás aqui por eu deixei, até me dá piada sabes? Esta luta que te dás a ti próprio, esta sombra que achas que tenho, que achas que é luz para ti. Pois bem, não é. Ahah, não és meu caro, não és nada em mim.
Eu. é brilhante o meu dedo. Quase que o beijo, já me pareceu bem mais distante, tal quais memórias diluídas entre sinapses. Agora, vejo-te directamente. És tu, dedo meu, és tu a minha luz. É com estas linhas com que me coso, com que me contruo. E vamos todos, até levo o monstro connosco, e escondemo-nos dentro de uma caixa com bolas dançantes. e tu danças monstro? até te deixo vir.
Isto sou eu meu monstro, rasgo-me pelas fibras, coso-me por onde me apetecer. Atrevo-me sim. E tu, aguentas?
12/05/09
a parede é verde, e eu estou aqui ainda

"As paredes estão verdes, já viste? E tu és fogo, que eu sei que eu vi. Já nem sei que é o monstro, já nem sei como não te consigo tirar o sorriso. De certeza que tu és fogo, mesmo num só braço."
- Ah ah ah, já não me vences seu monstro. E mando-te o sorriso para te mostrar isso mesmo. Já não me quebras, eu venço, eu venci... e as ondas, onde ficaram? Diz-me seu porco. Digo-te eu... encheram o peito rebentaram desfizeram-se e voltaram para trás... É assim que me pões np chão?
- A parede é verde meu caro, e até a minha sombra esta lá, já não me dizes nada, tu, a mim...
- Agora vou que o dia é para vencer
25/04/09
eu sou um monstrinho

Na verdade, eu não existo. Sou um animal animado, sem pés nem cabeça nem tronco nem peças juntas nem parafusos no sítio. Sou o caos joana, a precaridade. E não lutes contra o caos, porque ele continua, ora dança para um lado ora para outro, ora vem pela esquerda ora pela direita. Eu sou assim, e digo-te, muito falta para que saibas dançar comigo. Sou as ondas de marés vivas, que te apanho uma vez após outra, um dia a seguir ao outro joana, uma semana após outra, até que percas o norte, o rumo, até que fiques tonta, zonza, e te rendas a mim, estendida no chão, aos remoinhos. Não adianta lutares, eu sou um monstrinho dentro de ti, e não vais conseguir fazer nada. Eu sou o caos, e não quero ir para casa.
18/02/09
frag-men-tada

até gosto desse teu cabelo, indigo, como te disse... ou sou eu que o vejo assim? não interessa agora também. Assim é que és bonita, como eu te vejo. "do you think i'm yours?" Como é que ele pode falar assim joana? caralho, ele há-de morrer, e não conseguir esquecer o que fez. Eu quero-o ver no chão, a chorar, a implorar paz...
Acorda joana. Tens que te deixar dessas coisas. Levanta-te, que é dia de trabalho. Esperam-te as letras, o café da máquina, as pausas do cigarro, deixa esses pensamentos como o fumo que se esfuma da beata. Espera-te o dia, o brilho dos olhos, dos teus acima dos outros. São os teus que têm que brilhar mais, muito mais que os outros. E a merda do dia, do stress do trabalho, da paranóia do patrão, é isso que te espera joana. E tu vais, com sorriso nas bentas, nariz empoleirado de fronha ao ar. É teu o dia joana. Joana...
foi assim que ele te deixou, fragmentada, crua. E quando é que volta? Havias de pintar as paredes de verde maça. É a cor oposta do vermelho sabias? Havias de te vingar, eu ajudo-te, já tenho um plano joana. Um plano vermelho, encarnado, bem quente e doce Joana. PÁRAAAA!!! Quem és tu joana? Como é que acabaste a falar contigo própria? Vai ver um médico joana, isto não pode ser normal. Não existe cabelo indigo, não existe joana, é tudo raíz da tua loucura joana. Vai, já. A parede já é verde... de caminho é tarde, que ele volta.
sinto falta daquele sol...
11/02/09

Está sol joana, está sooooooooooooooooool
mas continua um frio do caraças... mas está soooooooooooooool
mete-te na camioneta, faz uma daquelas viagens às raízes, às origens, vai beber dessa água do caule... apanhar o sorriso rural do bom dia a toda a gente, até às silvas que guardam os montes, as beiras das estradas... quero beber desse ar joana, faz-me lá esse favor, canta lá um fogo ou água joana...
porque está sol joana, quero lá saber. Vou sair a tirar fotos, vou sorrir para este sol... ahahah, está sol!!!
06/01/09
deixa-me quebrar em quatro
palavras...letras...
aiiii...
já não aguento...
deixa quebrar-me em quatro, assim consigo. Deixa eu ser uma sílaba, um pedaço do pedaço... deixa de me coser de novo deixa-me estar de velho, que eu vou lá. Eu vou lá
31/12/08
é sexta-feira

01: resoluções do novo ano, deixa ver... vou-me embora, chegar ao tribunal do trabalho, e meter o sacana em apuros, quero la saber. As palavrinhas doces deixaram de ter efeito, ele que vá fazer promessas para o raio que o parta... menina joana, existem regras nesta empresa, a apresentação tem que ser muito cuidada, o cliente é da mais alta importância, temos que ganhar o cliente... ele vai levar no pelo. joana, dá-lhe co porta-chaves, ele tem cabeça de vento, dá-lhe nas trombas...
02: e se me pagasses a tempo e horas meu sacana? não é da mais alta importância? ainda bem que hoje é sexta... valha-me os horizontes, que esta viagem é longa... estou cansada... vai dormir joana.
03: uma massagem, era o que precisava... este pescoço mata-me. Se ao menos fosse diferente... o que me safa são as viagens, mesmo longas... ao menos espaireço, e não penso naquele inferno...
04: joana pinta o cabelo de indigo.
28/07/08
o um o nove o oito o sete
mais um ano mais uma curva
mais um sorriso a dar, a receber
mais umas danças dos dias na bagagem
umas gotas mais uns ventos no cabelo
mais um desejo de mais uns dias
mais um mais nove mais oito ou sete
até passar nos meses na curva os dias
mais um sorriso a dar, a receber
mais umas danças dos dias na bagagem
umas gotas mais uns ventos no cabelo
mais um desejo de mais uns dias
mais um mais nove mais oito ou sete
até passar nos meses na curva os dias
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