10/08/07

o "homem das palavras"

o homem das palavras deu notícias,
atirou palavras como sementes selvagens
atiçou o fogo, atiçou a dança

o homem das palavras abriu a porta a janela
atirou o vento como demandas selvagens
atiçou o vento, atiçou a dança

um vintém pelas palavras atiradas,
pelas notícias pelas promessas
pela janela pela aragem...

talvez seja essa a minha, a janela
talvez seja essa a minha, a aragem
a dança, esse tango escrevinhado
dançado pelas ventas e pelos rins
pelo meio das promessas que enregelam
pelo meio das palavras que explodem

o homem das palavras deu notícias
fez danças de fogo textuais
pelo meio das promessas que inundam

28/06/07



















uma estrela
que cai
do ocidente
pé ante pé
cadente, diferente
numa terra
que se levanta
pé ante pé
diferente


26/06/07

vertigem (outra)

do outro lado do tempo, do vento
a janela já nao projectava a luz da vela
em cima, a espreguiçadeira já no chão,
a cor da parede já caira
fazendo chuva de memórias, de cascas viajantes
a portada fechou, a telha alberga o pó,
as paredes, o tempo, o vento...

23/06/07

enquanto a cadeira
espera
pelo corpo
que espera
pela voz
que espera
pela cadeira
encorpada
esperada.

14/06/07

demiolando a sete pés

as vezes apetece-me fechar o mundo numa gaveta. E fecha-la, a sete chaves. uma duas três quatro quatro seis sete chaves. As vezes apetece-me comer palavras repetir colar por cima, por cima. Sem pensar. E pregar, pregar as ripas da madeira da gaveta das chaves do mundo a sete pés. E ouvir vozes, zumbidos estridentes, gritos colectivos, disformes, por entre as ripas, alheias do mundo, da água que vai gotejando humedecendo a gaveta secando-se a si mesma, dos fósforos acendidos ardidos enegrecidos caidos no meio do forro que não queimou, por agora. Já não cansa as vozes, já não cansam. E se passar verniz? Tapa poros, tapa jorros tapa desabamentos de pó luz e água... assim não cai. Hermeticamente engavetado.

As vezes apetece-me fechar o mundo a sete dedos, e deixar três de fora. Um dois três quatro quatro, desenhar no ar uma bola e sussurrar o que está bem ou assim assim, e a água e o fósforo, sussurrando a mil à hora... e abrir os dedos, os sete e os três, e o mundo dos sete pés. um dois três quatro quatro seis sete. ou contar até vinte e quatro, ou cinco. E se meter fita cola? Não vá os dedos tece-las. Fita dupla, para colar dos dois lados, e não fugir, não dançar... assim nao sai. um dois três quatro quatro seis sete, endedados, e os outros três

As vezes apetece-me desmiolar sem semântica sem gramática sem sujeito predicado sem ponto e vírgula uma anarquia. Ou contar até cinco.

05/06/07

you're swimming charlie, you're swimming...

27/05/07

as máscaras do amanhã

mantem essas forças
mantem essas cordas
a tensão, a dinâmica
mantem essa dor

16/05/07

oficinas... (escrita para ilustração)

era uma vez uma coisa brilhante no céu, surgia caía...
o que seria, o que diria, uma hélice um pião... surgía caía...
o ar tornou-se intenso fresco escorregadio fugidio...
do fresco caiu um dragão...

Ora ora o dragão foi cair exactamente em cima do mais bonito
mais altivo mais elegante gato do quarteirão...
meio enredado do embate, o gato gato convidou o dragão hélice pião
ora ora, hélice pião...

O convite era ir ver a sua casa ajardinada agatinada
o convite era ir estrear a sua cafeteira maluca,
agatinada...

O dragão ficou vermelho, logo o gato do atropelo...
a sua casa era numa árvore, era fantástica...
agatinada... ora ora.

dizia assim

dizia assim na notícia, dizia assim...
menino lars está triste,
não consegue contar histórias...
chamam-lhe depressão...
eu só queria as histórias.

01/05/07

pega numa pedra
pega no intento
pega na cor da telha
no brilho ao relento
pega na textura, nos poros
no cheiro das entranhas no primeiro
estende a tua mão
encosta a cara ao chão
faz de tudo isto o novo

da cor da terra
da cor da chuva
da cor da luz da cidade esguia
da cor da idade
da cor da terra
da cor da mão
da cor da terra