16/05/07

dizia assim

dizia assim na notícia, dizia assim...
menino lars está triste,
não consegue contar histórias...
chamam-lhe depressão...
eu só queria as histórias.

01/05/07

pega numa pedra
pega no intento
pega na cor da telha
no brilho ao relento
pega na textura, nos poros
no cheiro das entranhas no primeiro
estende a tua mão
encosta a cara ao chão
faz de tudo isto o novo

da cor da terra
da cor da chuva
da cor da luz da cidade esguia
da cor da idade
da cor da terra
da cor da mão
da cor da terra

tree of life

é o enigma final, o cerco do aparecer, já lhe miro a fronteira... o cerco hermético é já ali, e tenho a contra-senha na mão (ou não?). Somos esse ser limítrofe ou o quê então? é certo que já não estamos no império romano, mas é o que somos, é o que sinto. A base da pirâmide, os habitantes da fronteira, os neo-nómadas de cobertor nas costas de carroça montada, de longa caminhada, palmilhada... fazemos dos não-lugares, habitados de novo... a morte do caminho é o acto de criação, o produto acabado, embalado, o cerco do celofane, o acto da vida, o ser do hoje e do amanhã, o caminho para tudo o resto, para o descanso tambem... "O que fazes aqui? É o primeiro nevão da época... Não posso, estou ocupado. Anda lá... Eles estão à minha espera."

como é possível algo puxar-me pelos anos se continuo no mesmo sítio, não estou nem mais ali ao lado, nem sequer na penumbra do que era, ainda estou ainda sou ainda não estou pronto... tenho medo, de perder o sol o azul o calor... isto não é para mim

obrigado, disponha sempre.


filme do dia: the.fountain.2006
música de cabeceira: "tree of life" clint mansell

the countdown

"i finnished
its everything alright?
yes"

23/04/07

today is a good day to die...

...to reborn to live
...to restart to create
...to read to talk
...to do to do
...to draw to do

12/04/07

olhos de menina

menina sereia
palmilhando a areia
descobria o horizonte
nos olhos de andreia

06/04/07

os fantasmas do armário

é o medo das entranhas
são as brechas das paredes
a sombra dos teus medos
que tombam os receios.
É a luz que fura o quarto
as penumbras que te cercam
os fantasmas do armário
as entranhas que te apertam
os suspiros ofegantes
os anseios que te esgotam
e a sombra, a sombra...


(19 setembro 2006)
esboço para um conto de horror

time has come

num só segundo veio a escuridão
o vazio a penumbra da imensidão
num só segundo veio a nova visão
o verbo a fala e a luz ao mundo

num só segundo veio o gesto
num só segundo o tempo voou
revirou revoltou nos pontapeou
num só segundo o tempo virou defunto

num só segundo veio a palavra
a intenção a ambição falada
num só segundo o tempo virou água
e a palavra virou salgada

01/04/07

a poem should be a whale

should eat copy paste
completely self-made
oh my, what a waste
the copy paste
oh god, let me
be a whale

o comboio


vai o vento leva o vento
vai a linha leva o vento
o trajecto a entrelinha
vai o eu leva o meu
vai a cor leva a todos
o arranho leva a todos
o comboio leva a todos
menos eu

(a partir de vitorino - que sou eu)