01/05/07

the countdown

"i finnished
its everything alright?
yes"

23/04/07

today is a good day to die...

...to reborn to live
...to restart to create
...to read to talk
...to do to do
...to draw to do

12/04/07

olhos de menina

menina sereia
palmilhando a areia
descobria o horizonte
nos olhos de andreia

06/04/07

os fantasmas do armário

é o medo das entranhas
são as brechas das paredes
a sombra dos teus medos
que tombam os receios.
É a luz que fura o quarto
as penumbras que te cercam
os fantasmas do armário
as entranhas que te apertam
os suspiros ofegantes
os anseios que te esgotam
e a sombra, a sombra...


(19 setembro 2006)
esboço para um conto de horror

time has come

num só segundo veio a escuridão
o vazio a penumbra da imensidão
num só segundo veio a nova visão
o verbo a fala e a luz ao mundo

num só segundo veio o gesto
num só segundo o tempo voou
revirou revoltou nos pontapeou
num só segundo o tempo virou defunto

num só segundo veio a palavra
a intenção a ambição falada
num só segundo o tempo virou água
e a palavra virou salgada

01/04/07

a poem should be a whale

should eat copy paste
completely self-made
oh my, what a waste
the copy paste
oh god, let me
be a whale

o comboio


vai o vento leva o vento
vai a linha leva o vento
o trajecto a entrelinha
vai o eu leva o meu
vai a cor leva a todos
o arranho leva a todos
o comboio leva a todos
menos eu

(a partir de vitorino - que sou eu)

o sol que chove

há dias que seriam só dias
que de dias se perdiam nos dias
na estrada, no tempo
nas pingas da chuva que ensopam o caminho
vou tirar uma fotografia, hoje que chove
do azul que chove, do raiar que chove.

(a partir de patrícia leitão)

preto-e-branco

desgata o tempo a menina... desgata o tempo
com um terno desgastar, com um medo desgatar
com um momento gigante grande com um tento
pequeno o momento perfeito o momento
com o medo o momento com o tempo o momento

(a partir de bolas - e o velhote disse tás tolo)

dos baloiços

entravados amontoados enrolados,
dos baloiços enbaloiçados, dos baloiços
do talvez cair do talvez ruir dos baloiços
que a noite embala que embala a noite
dos baloiços.

(a partir de lucinda lourenço)

pedaços de adão

jazem aqui no chão os pedaços amputados
os sonhos mal amados, as histórias de amor cão...
jazem aqui no chão, sobrepostos uns aos outros
os abandonos então loucos, os fragmentos então,
jazem aqui no chão então,
jazem aqui no chão.

jazem aqui no chão as ervas daninhas
a água mal vertida, o lixo de adão,
o lixo de adão então, e a eva não-vestida.
à espera do dengo dos anjos
aninhados nos vidros estilhaçados
perdidos nos vales dos rios mal talhados
das serras mal talhadas mal tratadas
do animal mal talhado mal amado
atraiçoado estilhaçado mal-ambicionado
ainda bem então ainda bem no chão.
então.

(a partir de sara costa)

24/03/07

saída de emergência copy paste

mas continua lá continua já continua
o monstro partiu lá fugiu de medo já fugiu de medo
o dia galgou a montanha lá a montanha continua
o óleo quebrou do umbral de madeira de cedro de medo
o menino das asas do pássaro da cama
continua lá continua em encantamento
o dia já canta o galo já canta o umbral lá canta
o pássaro já pássaro o pássaro lá voa o pássaro lá voa
o homem já solto das amarras já canta das amarras lá canta
uma saída de emergência da ainda montanha do lá pensamento

21/03/07

a grande nação

do outro lado da claridade um bater de asas
no gotejar da cor, o virar da dor-que-não-para
no virar do dia, o virar da idade
no outro lado de esguia, o momento, o calor
no outro lado, uma borboleta, um sofrimento

(em dia-de-anos-de-uma-borboleta)
(em dias-de-ano-de-bater-doloroso)

11/03/07

o relógio-da-borracha-que-apaga

o tempo da borracha
foge saltita, ele foge, que apaga
dedo a dedo, não te mexas, ele foge não procures
não te cales, escolhe a parede, não escutes
espalma a mão, alinha a palma, que eu não
pinta, a cor de novo que o tempo não encontro,
pinta e esconde a parede que a borracha apaga,
que de novo, não encontra
mais uns minutos, e é um novo tempo,
que hoje desenhou.

é uma métrica fonética que desenha o que se ouve
é uma métrica que o desenho apaga o que nunca houve.

o poço seca, as moedas morrem, a gruta escurece
saltita, medo a medo, não te mexas, espera que a noite venha
a linha cose-te, a linha estanca-te, espera que a borracha chegue
num-caminhar-que-não-para-no-relógio-da-borracha
num-excerto-que-descansa-te-que-aninha-se-entrelinha-se
que se num excerto que ainda a linha encara
que se alinha a mão, que se espalma a linha
que apaga de novo,
que se mexe o ponterio, apaga que ele foge
hoje, hoje,

acorda...

(a partir de thom yorke)

03/03/07

rolam sonhos pelo chão

fugidios palmilham cada sulco de chão,
cada pedaço de perdão, ou não, ou então,
cada canto cada sombra, cada toque de abrigo,
o sonho antigo, guardado a dornado...

e cruzam-se vivem-se mesmo que fugidios,
vivem-se riem-se, juntos lado a lado,
digo eu...

fugidios palmilham cada sulco de chão,
esses sonhos...
e caem, caem mais,
pelos lados da cama,
pelos laços pelos fios do sono,
do sonho teu...
digo eu.

(a partir de sara costa)

01/03/07

will you be my man?

entre linhas entre caladas
entre silêncios sussurrados
entre olhares respirados
entram em ti, objectos voadores
criadores, moldados,
entre linhas entre caladas
entre silêncios...

hail to the thief

but i'm not

uma luz, tenda cor
um abrigo cerco retiro
uma gota, gota a gota o quê
emparedado o ardor
esgaravatar continuamente mente
menos dor menos mente ente
menos luz, menos cor
mais calor mais temor
gota a gota alguma coisa
terra a terra, mas não eu
chuvisco granizo ao ladrão
alguma coisa mas não eu
mas não eu não eu o quê


(a partir de lucinda lourenço)

ofélia

menina de cor fogo
ofélia repousa de chão
ou não, então,
de luz poeira,
de bate-chão, de bate-fogo
de bate-outro

de rodopiar tosco
cabelos livres, em tramas
à volta fosco,
em cor fogo,
que bebe o sumo
laranja, das chamas
(a partir de patrícia leitão)

ovnis de rua

de noite, antes que lumine
antes que rumine, antes que se findem
objectos, antes que voem
antes que se identifiquem, que se findem
na rua, no olhar, no bocejo do segundo
em linhas, em ondas, caladas, que se findem.
(a partir de patricia leitão)

14/02/07

é essa a vantagem de ser criança...

...não dever ser, apenas sonhar ser!!!