01/04/07

a poem should be a whale

should eat copy paste
completely self-made
oh my, what a waste
the copy paste
oh god, let me
be a whale

o comboio


vai o vento leva o vento
vai a linha leva o vento
o trajecto a entrelinha
vai o eu leva o meu
vai a cor leva a todos
o arranho leva a todos
o comboio leva a todos
menos eu

(a partir de vitorino - que sou eu)

o sol que chove

há dias que seriam só dias
que de dias se perdiam nos dias
na estrada, no tempo
nas pingas da chuva que ensopam o caminho
vou tirar uma fotografia, hoje que chove
do azul que chove, do raiar que chove.

(a partir de patrícia leitão)

preto-e-branco

desgata o tempo a menina... desgata o tempo
com um terno desgastar, com um medo desgatar
com um momento gigante grande com um tento
pequeno o momento perfeito o momento
com o medo o momento com o tempo o momento

(a partir de bolas - e o velhote disse tás tolo)

dos baloiços

entravados amontoados enrolados,
dos baloiços enbaloiçados, dos baloiços
do talvez cair do talvez ruir dos baloiços
que a noite embala que embala a noite
dos baloiços.

(a partir de lucinda lourenço)

pedaços de adão

jazem aqui no chão os pedaços amputados
os sonhos mal amados, as histórias de amor cão...
jazem aqui no chão, sobrepostos uns aos outros
os abandonos então loucos, os fragmentos então,
jazem aqui no chão então,
jazem aqui no chão.

jazem aqui no chão as ervas daninhas
a água mal vertida, o lixo de adão,
o lixo de adão então, e a eva não-vestida.
à espera do dengo dos anjos
aninhados nos vidros estilhaçados
perdidos nos vales dos rios mal talhados
das serras mal talhadas mal tratadas
do animal mal talhado mal amado
atraiçoado estilhaçado mal-ambicionado
ainda bem então ainda bem no chão.
então.

(a partir de sara costa)

24/03/07

saída de emergência copy paste

mas continua lá continua já continua
o monstro partiu lá fugiu de medo já fugiu de medo
o dia galgou a montanha lá a montanha continua
o óleo quebrou do umbral de madeira de cedro de medo
o menino das asas do pássaro da cama
continua lá continua em encantamento
o dia já canta o galo já canta o umbral lá canta
o pássaro já pássaro o pássaro lá voa o pássaro lá voa
o homem já solto das amarras já canta das amarras lá canta
uma saída de emergência da ainda montanha do lá pensamento

21/03/07

a grande nação

do outro lado da claridade um bater de asas
no gotejar da cor, o virar da dor-que-não-para
no virar do dia, o virar da idade
no outro lado de esguia, o momento, o calor
no outro lado, uma borboleta, um sofrimento

(em dia-de-anos-de-uma-borboleta)
(em dias-de-ano-de-bater-doloroso)

11/03/07

o relógio-da-borracha-que-apaga

o tempo da borracha
foge saltita, ele foge, que apaga
dedo a dedo, não te mexas, ele foge não procures
não te cales, escolhe a parede, não escutes
espalma a mão, alinha a palma, que eu não
pinta, a cor de novo que o tempo não encontro,
pinta e esconde a parede que a borracha apaga,
que de novo, não encontra
mais uns minutos, e é um novo tempo,
que hoje desenhou.

é uma métrica fonética que desenha o que se ouve
é uma métrica que o desenho apaga o que nunca houve.

o poço seca, as moedas morrem, a gruta escurece
saltita, medo a medo, não te mexas, espera que a noite venha
a linha cose-te, a linha estanca-te, espera que a borracha chegue
num-caminhar-que-não-para-no-relógio-da-borracha
num-excerto-que-descansa-te-que-aninha-se-entrelinha-se
que se num excerto que ainda a linha encara
que se alinha a mão, que se espalma a linha
que apaga de novo,
que se mexe o ponterio, apaga que ele foge
hoje, hoje,

acorda...

(a partir de thom yorke)

03/03/07

rolam sonhos pelo chão

fugidios palmilham cada sulco de chão,
cada pedaço de perdão, ou não, ou então,
cada canto cada sombra, cada toque de abrigo,
o sonho antigo, guardado a dornado...

e cruzam-se vivem-se mesmo que fugidios,
vivem-se riem-se, juntos lado a lado,
digo eu...

fugidios palmilham cada sulco de chão,
esses sonhos...
e caem, caem mais,
pelos lados da cama,
pelos laços pelos fios do sono,
do sonho teu...
digo eu.

(a partir de sara costa)